segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Vídeo mostra perseguição de PM a jovens em Balsas

Kamila disse que o carro com os policiais estava descaracterizado e não parou por medo de um assalto (Imagem: reprodução Facebook)
Do MA 10 – As irmãs Karina e Kamila Ferreira voltavam de um velório na última quinta-feira (15), quando o carro delas foi interceptado por policiais na localidade Lagoa do Jardel, na cidade de Balsas (MA). Os agentes confundiram o veículo com o mesmo utilizado por bandidos que assaltaram as agências do Banco do Brasil e do Bradesco em Fortaleza dos Nogueiras, na terça-feira (13).

Os policiais militares descaracterizados deram ordem de parada, mas as vítimas saíram em alta velocidade, temendo que se tratasse de um assalto. Os disparos atingiram as duas garotas, resultando na morte de Karina Ferreira (Reveja).

Veja o momento:

Em depoimento, o Delegado Regional, Fagno Vieira, afirmou que as investigações já foram iniciadas e inclusive foi solicitada a extração de eventuais projeteis no corpo de Karina. “Vamos instaurar o procedimento para podermos apurar as responsabilidades de cada um. Como eram muitos policiais envolvidos na operação, só mesmo uma perícia e confrontação balística para sabermos de que arma saiu o projétil que atingiu a garota”, apontou.
JUSTIÇA

“Foi algo covarde e feito por pessoas totalmente despreparadas”, afirmou a jovem Kamila Brito, que passou por perseguição policial na última quinta-feira (15) e presenciou a morte da irmã, Karina Brito. A noite de perda para a família de Kamila teve início quando as duas voltavam de um velório, no município de Balsas. A jovem de 29 anos afirma que após deixarem uma amiga em casa, um carro com policiais descaracterizados parou em frente a elas, impedindo sua passagem. “Assustada, pensando que era um assalto, dei ré e segui no sentido contrário”, explicou ela em entrevista, apontando que pensou que poderia ser um assalto.

Ao mudar sua rota, mais dois carros juntaram-se ao primeiro e teriam começado a perseguir o carro das duas irmãs. Karina alertou que eles iriam atirar. “Somente deu tempo de eu gritar e virar para o lado do passageiro, onde minha irmã estava para vê-la falando pela última vez que tinha sido atingida”, disse Kamila, que também foi atingida, no braço. Desesperada, ela ainda tentou seguir para o hospital, quando um dos policiais atirou nos pneus do carro.

Kamila contou que ainda não foi procurada pela polícia para dar um depoimento, mas que irá atrás de justiça. “Vou atrás dos meus direitos, a morte da minha irmã não pode ser em vão”, disse.

INVESTIGAÇÕES

Kamila Brito, irmã de Karina, vítima de perseguição policial em Balsas, afirmou que não foi procurada pela polícia para dar depoimento, mas irá atrás de justiça
Após uma operação da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) sobre o caso realizada na última quinta-feira (15), o comandante da PM de Balsas, tenente-coronel Juarez Medeiros, do 4º BPM, declarou apoio aos companheiros de profissão e pediu que os policiais envolvidos no caso não sejam julgados.

Ele afirmou que nenhum policial mataria, propositalmente, um inocente. Os militares envolvidos estão suspensos das atividades e vão passar por um processo administrativo e civil de investigação da conduta que resultou na morte da jovem.

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